ESSA FOTO: http://ladyrasta.com.br/2010/01/14/lavagem-do-bonfim-2010-eu-fui/
“QUEM TEM FÉ VAI A PÉ.”
TUDO começou com uma ameaça de naufrágio e uma promessa. Sacudido por uma tempestade e á beira de um naufrágio, o Capitão Teodósio Rodrigues de Farias invocou o Sr. do Bonfim e prometeu construir uma Igreja, se fosse salvo. Não deu outra, pois, o santo não falha.
Chegando são e salvo á Bahia, o Capitão cumpriu a palavra; mandou fazer uma imagem de 1.06m, em cedro, réplica perfeita da original em Setúbal e pediu autorização á Santa Sé para construir uma igreja, numa colina na Cidade Baixa, para onde levou a imagem, que estava na Igreja da Penha, na Ribeira, bairro próximo.
Começou assim a devoção que reina soberana desde 1745 até os nossos dias. É a maior festa popular da Bahia; estende-se por quase todo o mês de janeiro com suas novenas, ternos, missas campais e a Lavagem das escadarias da Igreja, numa quinta-feira do mês de Janeiro, geralmente, a terceira.
A tradicional Lavagem deve sua criação ao preconceito reinante nesta cidade no inicio do século XX, quando a Igreja Catolica e a elite branca não permitia o culto dos negros e até os perseguia, sem dó, nem piedade.
Acontece que, no culto afro, Sr.do Bonfim é Oxalá, o maior de todos os orixás e precisava ser festejado, com a lavagem do seu templo na Colina, segundo o ritual, com água perfumada de flores brancas e alfazema:eram as águas de Oxalá. O clamor pela proibição foi tamanho que a Igreja cedeu um pouco;”o povo de santo” lavaria o adro e as escadarias, enquanto o templo permaneceria fechado.
O cortejo sai do Comercio, geralmente no meio da manhã, da Igreja de N.Sra.da Conceição da Praia e um mundo de gente , moradores, turistas, adeptos ou não da religião africana, políticos que querem “sair bem na foto”, milhares de pessoas vestidas de branco, cavaleiros, carroças enfeitadas, o afoxé “Filhos de Ghandi”, esparzindo perfume de alfazema no meio da multidão, jornalistas daqui e d’além, percorre os 8 km e sobe a colina para assistir á festa. Gente de todo lugar.”eu vim de Ilha de Maré, minha senhora. prá fazer samba na Lavagem do Bonfim”, cantava Batatinha, sambista de escol. Cerca de 500 baianas vestidas de branco, com seus trajes engomados e rendados cheirando a patchulí, distribuem banho de cheiro aos passantes,para tirar as ziquiziras e afastar o mau-olhado.
Fitinhas de Sr.Bonfim, chamadas “medidas” são distribuídas ás mancheias para todos que têm um sonho secreto e esperam concretizá-lo; deve-se dar três nozinhos enquanto se faz três pedidos e deixar no pulso, sem nunca tirar; quando a fitinha rasgar o pedido será atendido, tão certo como dois e dois são quatro. A “medida”tem exatos 63 cm, distancia da chaga do peito de Cristo até Sua mão esquerda.Coloridas e belas trazem felicidade.
Por todo o Largo e subindo a Colina barracas de comida e bebida distraem e alimentam os passantes; é o acarajé dourado, o oloroso abará, o efó, o vatapá, ouro líquido, o caruru perfumado, é o mistério , a cor e o cheiro desta cidade mágica cheia de ritmos e axé , onde é impossível ser infeliz.
Durante todo o trajeto, canta-se com emoção, o Hino ao Senhor do Bonfim, música de Péthion de Villar e letra do poeta Arthur de Sales, da qual tenho a honra de ser sobrinha-neta.
Hoje estarei lá, de branco, reverenciando o maior orixá da Bahia, fazendo meus pedidos e tomando banho de cheiro, para limpinha, levinha, com a alma perfumada e feliz , seguir o meu destino. Como todos!
“Andá com fé eu vou, qui a fé nun custuma faia...”
“Desta Sagrada Colina
Mansão da Misericordia
Dá-nos a graça divina
Da justiça e da concórdia”.
Que as bênçãos de Oxalá tragam paz ao mundo!
Miriam de Sales - Perfil do Autor: Baiana, mulher, 65 anos, professora, escritora amadora, trilingue; gosto de arte, literatura, cinema, viagens.
http://www.artigonal.com/religiao-artigos/tradicoes-da-bahialavagem-do-bonfim-723499.html
NOSSO RECHILIEU!
ABENÇOADO PELO SENHOR DO BOMFIM,
ABENÇOADO PELOS ORIXÁS!
Foto: Tássia Novaes - http://jardimdasfolhassagradas.zip.net/
http://lenidavid.com.br/?tag=lavagem-do-bonfim
Lavagem do Bonfim
Ah, eu vim de Ilha de Maré minha senhora
Prá fazer samba na lavagem do Bonfim
Saltei na rampa do mercado e segui na direção
Cortejo armado na Igreja da Conceição
Aí de carroça andei, comadre,
Aí de carroça andei, compadre
Ah, quando eu cheguei no Bonfim minha senhora
Da carroça enfeitada eu saltei
Com água, flores e perfume
a escada da colina eu lavei
Aí foi que eu sambei, compadre
Aí foi que eu sambei, comadre…
Aí foi que eu sambei, compadre
Aí foi que eu sambei, comadre…
(Ilha de Maré)
http://ladyrasta.com.br/2010/01/14/lavagem-do-bonfim-2010-eu-fui/
SÓ NA BAHIA QUE VOCÊ ENCONTRA O RECHILIEU
MAIS BONITO!
SOTEROPOLITANOS
Cultura afro
Alta costura afro baiana
Indumentária afro-brasileira sobrevive como símbolo da cultura, da religião e da resistência dos negros no país.
Começa através das mãos da mãe, da avó ou da madrinha de um recém-nascido o primeiro ritual pelo qual passa uma criança nos terreiros de matriz africana. São elas que tecem ou encomendam um tecido que terá significado especial por toda a existência do descendente e mesmo após sua passagem pela terra. Dezesseis dias depois de nascer, a mão materna envolve o bebê no pano da costa especialmente lavado, incensado e perfumado para a ocasião. É assim que tem início o ikomojadê, cerimônia que apresenta, pela primeira vez, um novo filho ou filha às divindades reverenciadas no candomblé.
É sobre esse tecido que a criança fica deitada, enquanto o líder religioso da casa profere palavras sagradas de prosperidade ao recém-nascido. O grupo faz saudações especiais diante de Xangô, Dadá, Oxum e Iemanjá. Depois, derrama um pouco da água da quartinha na cabeça da criança. Em alguns locais, nesse momento é escolhido um nome em iorubá para o bebê. “É uma comemoração à vida, ao nascimento. Você só pede coisas boas para aquele bebê. Esse tecido branco vai acompanhá-lo para sempre”, explica e egbomi Cici, do Terreiro Ilê Axé Opô Aganju e pesquisadora da Fundação Pierre Verger.
Guardado pela família, o tecido do Ikomojadê estará ao lado da criança até o dia em que, jovem ou adulta, se despeça da vida. Ainda que o ritual tenha variações – em algumas casas, ocorre no nono dia – ele revela pistas da importância da indumentária para a cultura negro-africana transportada pelo processo forçado da diáspora.
Um pedaço de pano pode simbolizar a sobrevivência de toda uma identidade e conservar detalhes fundamentais de uma cultura. É possível perceber as diferenças entre o povo de nação jeje, angola e iorubá apenas pela maneira de amarrar o torço na cabeça, só para citar um exemplo. O simples gesto de prender os cabelos num turbante, herança que sobrevive através das vestes das baianas de acarajé, preserva a riqueza de um hábito iniciado do outro lado do mar.
E não foram apenas os escravos seguidores da religião de raiz africana que reafirmaram a identidade através da forma de se vestir. Os negros muçulmanos eram tão reconhecidos por suas roupas nas ruas da velha Salvador que, graças a elas, foi possível constatar o papel central desempenhado pelos malês na rebelião de 1835. “Os rebeldes – ou uma boa parte deles – foram para as ruas com roupas usadas na Bahia pelos adeptos do islamismo. No corpo de muitos dos que morreram a polícia encontrou amuletos muçulmanos e papéis com rezas e passagens do Qur’an usados para proteção. Essas e outras marcas da revolta levaram o chefe da polícia Francisco Gonçalves Martins a concluir o óbvio: ‘o certo’, escreveu ele, ‘é que a religião tinha sua parte na sublevação’”, descreve o pesquisador João José Reis em Rebelião Escrava no Brasil.
http://soteropolitanosculturaafro.wordpress.com/2008/09/16/identidade-ancestral/
FOTOS DE: de Ricardo Prado, Welton Araújo e Haroldo Abrantes
http://kizombaafestadaraca.blogspot.com/2012_01_01_archive.html
O MEU AXÉ! PARA TODOS!